Dilma aumenta em 900% gastos com propaganda do Minha Casa, Minha Vida. Repetindo: 900%
O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das
principais apostas eleitorais da presidente Dilma Rousseff para 2014, dada a
escassez de grandes realizações que possam cativar o eleitor e garantir um
segundo mandato à petista. O governo aposta tanto na divulgação do programa
que, em 2013, despejou uma quantidade desproporcional de recursos apenas para
fazer propaganda dele.
Dados cedidos pela Caixa Econômica Federal a pedido do
líder da minoria na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MG), mostram a repentina
elevação de gastos com publicidade: em 2011, foram 261 000 reais. No ano
seguinte, 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado
15,7 milhões de reais para divulgar o programa. Mesmo que o banco
público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o
programa habitacional, o valor significará um aumento de 923% por cento na
comparação com todos os gastos de 2012 – e de mais de 6.000% em relação a 2011.
A Caixa não apresenta uma explicação clara sobre a elevação de gastos. Diz que, no montante, estão ações de esclarecimento aos participantes do programa. "A campanha teve como objetivo de prestar, de forma transparente, orientações aos beneficiários que estavam recebendo as chaves de imóveis do MCMV – tais como a conservação e manutenção da moradia, condições de instalação do sistema elétrico e hidráulico, economia de água e energia, dentre outros pontos importantes", informa nota emitida pela assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal ao site de VEJA.
A Caixa não apresenta uma explicação clara sobre a elevação de gastos. Diz que, no montante, estão ações de esclarecimento aos participantes do programa. "A campanha teve como objetivo de prestar, de forma transparente, orientações aos beneficiários que estavam recebendo as chaves de imóveis do MCMV – tais como a conservação e manutenção da moradia, condições de instalação do sistema elétrico e hidráulico, economia de água e energia, dentre outros pontos importantes", informa nota emitida pela assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal ao site de VEJA.
Mas o que se viu nos últimos
meses foi uma profusão de peças de publicidade para atrair novos participantes
para o programa, estreladas pela atriz Camila Pitanga e a apresentadora Regina
Casé. A Caixa, aliás, não revela o preço pago a elas: diz que o cachê é uma
informação "estratégica". O governo tem como meta firmar 2,5 milhões
de contratos para o Minha Casa, Minha Vida até o fim de 2014. Até agora, 1,3
milhão de pessoas aderiram ao programa.
O deputado Nilson Leitão agora vai pedir à Caixa que esclareça se o aumento nos
gastos com publicidade foi acompanhado de um crescimento proporcional nos
empreendimentos do programa. A pergunta é meramente retórica, já que a resposta
será evidentemente negativa. "É um gasto apenas promocional para o
governo; não muda em nada a vida do cidadão", queixa-se o
parlamentar.
A elevação dos
gastos com publicidade do Minha Casa, Minha Vida ocorre no momento em que a inadimplência
disparou, há um mês, entre as famílias com renda mensal de até 1 600 reais, o
índice chega a 20% – número dez vezes maior que a média dos financiamentos
imobiliários no país.
Cifras – Os gastos gerais do
governo com publicidade também subiram. Levantamento feito pela ONG Contas
Abertas a pedido do site de VEJA mostra que os valores empenhados chegaram a
177,7 milhões de reais neste ano, comparados com 173 milhões de reais no ano passado
inteiro. O cálculo leva em conta dados do Orçamento e exclui as estatais,
como a própria Caixa.
O aumento ocorre acompanhado de uma nítida mudança
na estratégia de comunicação da presidente Dilma Rousseff, já de olho nas
eleições de 2014. Dilma abriu uma página no Facebook e passou a usar o Twitter
diariamente, além de priorizar eventos que possam garantir exposição positiva
nos meios de comunicação.
José Matias-Pereira, professor de administração
pública da Universidade de Brasília, diz que somente a cobrança da sociedade
pode impedir abusos com o uso de verbas públicas para promoção eleitoral.
"Nós temos que assumir uma postura mais proativa e agressiva, no bom
sentido, para cobrar resultados dos governantes, e não publicidade. Quanto
pior o desempenho de um governante, maior a tendência dele de gastar o
dinheiro com publicidade", diz. Ele também critica a mistura entre
público e privado: "O eleitor está sendo chamado para pagar uma conta
que, na verdade, tem por trás dela interesses políticos, de grupo e
pessoais".
Há outra explicação relevante para a elevação dos
gastos já em 2013: pela lei, o governo só pode gastar com publicidade em ano
eleitoral aquilo que já havia gasto no ano anterior. Esticar a corda já em 2013
é garantir a possibilidade de gastos maiores no ano que vem.
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| Presidente Dilma Rousseff posa com uma família durante a cerimónia de entrega de apartamentos do programa "Minha Casa, Minha Vida", em São Paulo (Nelson Almeida/AFP) |

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