Economia fraca arranha vitrine de Aécio em Minas Gerais
Desempenho abaixo da
média nacional torna gestão tucana alvo de críticas
Adversários falam em
'pibinho', usando o mesmo termo adotado pelo senador para atacar governo Dilma
Vitrine do senador
mineiro Aécio Neves (PSDB) para a corrida presidencial do próximo ano, Minas
Gerais está com a economia estagnada e com índices piores do que a média
nacional e de Estados vizinhos há mais de um ano.
No segundo trimestre de 2013 (último dado
disponível), o Estado governado pelos tucanos desde 2003 recuou 0,1% --já o PIB
nacional surpreendeu e subiu 1,5%.
Pernambuco, berço do pré-candidato do PSB,
Eduardo Campos, tem um crescimento acumulado nos últimos 12 meses maior do que
o do país, segundo dados do Estado.
Ainda no segundo trimestre, o Rio Grande do
Sul, puxado pelo desempenho da agricultura, cresceu 6,4%. Em São Paulo, o
crescimento foi de 1,2% e, na Bahia, 2,2%.
A agropecuária é uma das causas do mau
desempenho em Minas Gerais, terceiro Estado mais rico do país, enquanto a
supersafra do Centro-Oeste e do Sul ajudou a alavancar o PIB nacional.
Também pesa contra o Estado a dependência de
poucos setores, como mineração.Levantado pela oposição, o tema já chegou ao
debate político nesta pré-campanha.
Vice-líder do PT no Legislativo mineiro,
Rogério Correia usou nos seus boletins informativos a expressão
"pibinho" --mesmo termo empregado por Aécio para criticar o
desempenho da política econômica da presidente Dilma Rousseff.
O deputado peemedebista Sávio Souza Cruz, líder
da oposição, diz que a economia mineira corre o risco de se tornar ainda mais
"primária", dependente de matérias primas básicas, se não houver
impulso à industrialização.
No próximo ano, o PT deve lançar o ministro
Fernando Pimentel (Desenvolvimento e Indústria) como candidato ao governo de
Minas. No PSDB de Aécio e do governador Antonio Anastasia, o ex-ministro
Pimenta da Veiga tenta viabilizar seu nome.
DEPENDÊNCIA
A diversificação da atividade econômica tem
sido o centro da discussão. O PIB dependente de produtos como minérios e café
deixa o Estado mais vulnerável a incertezas externas, como agora.
Segundo a Fundação João Pinheiro, centro de estudos
ligado ao governo estadual, a baixa na produção do café contribuiu para a queda
de abril a junho. No primeiro trimestre do ano, em que a economia mineira
recuou 0,2%, pesou a menor demanda internacional por minérios.
O economista Edson Domingues, da Universidade
Federal de Minas, diz que o Estado não tem conseguido atrair investimentos como
outras regiões do país e que há problemas de infraestrutura, como na malha
rodoviária e em ferrovias.
"Algumas indústrias do Estado não têm um
dinamismo tão grande quanto em outras regiões", afirma o professor.
Às vésperas do ano eleitoral, o PSDB se move
para tentar anular o discurso da oposição e vai preparar um documento mostrando
que Minas cresceu mais do que a média do país na década passada.

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