Mosaico de Ideias
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EDUCAÇÃO NO
BRASIL NUMA ABORDAGEM
CONTEMPORÂNEA
Profº Esp. Ademir
Rodrigues Pereira1
INTRODUÇÃO
Atualmente, considera-se a educação um dos setores
mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de
conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida
das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas
décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio)
ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão
social e muitas famílias tem investido muito neste setor.
Pesquisas na área educacional apontam que um terço
dos brasileiros frequenta diariamente a escola (professores e alunos). São mais
de 2,5 milhões de professores e 53 milhões de estudantes matriculados em todos
os níveis de ensino. Estes números apontam um crescimento no nível de
escolaridade do povo brasileiro, fator considerado importante para a melhoria
do nível de desenvolvimento de nosso país.
Outra notícia importante na área educacional diz
respeito ao índice de analfabetismo. O
Censo de 2010 (IBGE) mostra uma queda no
índice de analfabetismo em nosso país nos últimos doze anos (2000 a 2012). Em
2000, o número de analfabetos correspondia a 13,63% da população (15 anos ou
mais de idade). Esse índice caiu para 9,6% em 2012. Ou seja, um grande avanço,
embora ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo no
Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das crianças de
sete a quatorze anos frequentavam a escola.
Esta queda no índice de analfabetismo deve-se,
principalmente, aos maiores investimentos feitos em educação no Brasil nos
últimos anos. Governos municipais, estaduais e federais têm dedicado uma atenção
especial a esta área. Programas de bolsa educação têm tirado milhares de
crianças do trabalho infantil para ingressarem nos bancos escolares. Programas
de Educação de Jovens e Adultos (EJAs) também tem favorecido este avanço
educacional.
Tudo isto, aliado a políticas de valorização dos professores,
principalmente em regiões carentes, tem resultado nos dados positivos.
Outro dado importante é a queda no índice de
repetência escolar, que tem diminuído nos últimos anos. A repetência acaba
tirando muitos jovens da escola, pois estes desistem. Este quadro tem mudado
com reformas no sistema de ensino, que está valorizando cada vez mais o aluno e
dando oportunidades de recuperação. As classes de aceleração também estão dando
resultados positivos neste sentido.
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação),
aprovada em 1996, trouxe um grande avanço no sistema de educação de nosso país.
Esta lei visa tornar a escola um espaço de participação social, valorizando a
democracia, o respeito, a pluralidade cultural e a formação do cidadão. A
escola ganhou vida e mais significado para os estudantes.
De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases)
sobre a educação:
Art.1. A educação abrange os processos formativos
que se desenvolve na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas
instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da
sociedade civil e nas manifestações culturais.
Art.2 A educação, dever da família e do Estado,
inspiradas nos princípios de liberdade e nas ideias de solidariedade humana,
tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, CNE
/CEB,1999).
Nas sociedades tradicionais, a estabilidade da
organização política, produtiva e social, garantia um ambiente educacional
estável. Agora, a velocidade acentuada no progresso científico e tecnológico e
da transformação dos progressos de educação torna o conhecimento rapidamente
superado, exigindo-se uma atualização continua e colocando novas exigências
para a formação do cidadão.
A comissão internacional sobre educação para o
século XXI, incorporadas nas determinações da lei n 9.394/96:
a) a educação deve cumprir um triplo papel:
econômico, cientifico, e cultural.
b) a educação deve ser estruturada em quatro
alicerces: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a
ser. (BRASIL, CNE / CEB / 1999:31) A consolidação do Estado democrático, as
novas tecnologias e as mudanças na produção de bens, serviços e conhecimento,
exigem que a escola possibilite aos alunos integrarem-se ao mundo contemporâneo
nas dimensões fundamentais da cidadania e o trabalho.
Num mundo cada vez mais competitivo e excludente,
engendra a ideia de que somente os mais preparados terão êxitos. Portanto,
nesse processo de transformação política, econômica e social, não se pode
eximir o papel da educação como mediador de conflitos e produtora de uma
sociedade capaz de superar seus obstáculos. A educação atual deve preparar o
aluno à qualificação de conhecimento básico, à preparação cientifica e à
capacidade para usar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação.
Analisando o processo educacional, numa perspectiva
mais globalizada e menos operacional (normas, leis, pareceres, etc.),
percebemos que a educação e o acesso constante à informação são cada vez mais
indispensáveis para combater a exclusão social.
De acordo com Fonseca (2003, p. 213):
[...] não é possível desenvolver um país se não se
aprimora sua educação. Daí a grande importância do sistema educacional como
estratégia, tanto na formação tecnológica adequada, como também na preparação
de recursos humanos qualificados, fatores essenciais para que uma sociedade
atue dinamicamente neste sistema de economia globalizada.
A educação pode ser considerada como um bem público
e seus benefícios devem atingir toda a sociedade, contribuindo para o
melhoramento da mesma. Assim, talvez um dos maiores desafios da educação
brasileira seja: “formar um cidadão consciente e critico capaz de participar e
de usufruir dos meios, acessível em diversas linguagens”.
Sabemos da importância da educação no combate mais
efetivo a pobreza e as desigualdades sociais. Assim entenderam que a educação
se inscreve como um requisito indispensável para garantir cidadania e como
condição central para que uma sociedade possa construir um projeto político,
econômico e social que assegure uma vida de respeito a seus membros.
Não é possível tratarmos de educação sem inserir
nesse contexto todos os seus atores (sociedade, instituições políticas,
famílias e professores), Edgar Morim comenta que “a sociedade, como todo, está presente em cada individuo, na sua
linguagem, em seu saber, em suas obrigações e em suas normas” (2005, p.36).
Acredita-se que a sociedade tem se despertado para a necessidade de discutir e
envolver-se em prol de melhorias no contexto educacional.
É interessante salientar que os projetos
sócio-educativos voltados às crianças e adolescentes vulnerabilizados pela
pobreza, nasceram nas comunidades brasileiras por iniciativa da sociedade civil
e não pela mão do Estado. Mostrando assim, que nesse contexto, o Estado já não
é mais o agente executor exclusivo da ação pública da educação (como no período
regencial e parte do período republicano), mas ente central na sua regulação.
Não obstante, a educação continua sendo um tema tratado no seio político,
embora com resultados ainda não satisfatórios. Morin (2005, p. 199) comenta que
“a educação, num tempo histórico
relativamente curto, passou de um obscuro domínio da política doméstica a um
tema central dos debates políticos, tanto no plano nacional como no
internacional”.
Comentando a complexidade das políticas
educacionais, acredito que a educação é um caminho ou oportunidade que “conduz
a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a recuar a
pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras...”.
O discurso político sobre educação é sintetizado
por Fonseca (1975, p. 123) “o discurso
público e político sobre a educação é muito marcado pelo que o cidadão comum
lhe atribui como sendo o seu objetivo maior, o aperfeiçoamento da sociedade;
Educação converge todas as grandes aspirações sociais”.
Não se pode mais pensar na abstração do processo
educacional, pensar numa educação abrangente, produtiva e transformadora que faz
parte da construção e de um novo modelo educacional, modelo este que necessita
quebrar preconceitos, aferir valores e buscar soluções. Reiterando que a
educação é um “bem público” é imprescindível o envolvimento de todos os atores
sociais, no processo de construção de uma infra-estrutura educacional que
ofereça ensino de qualidade. O cenário é o da articulação da comunidade.
Portanto, alunos, famílias, e profissionais da educação, com segmentos
(agências locais, entidades governamentais e não governamentais entidades
religiosas, voluntárias, etc) que se tenha como meta a mobilização da busca de
soluções.
Nesse sentido, não poderíamos deixar de destacar o
papel da Instituição escolar.
Fonseca (2003, p..112), abordando essa questão,
afirma que a escola precisa ser compreendida em vários ângulos.
Não se trata apenas de um reflexo do funcionamento
da economia, da sociedade e das exigências ideológicas da classe dominante, mas
de um local de trabalho, focalizando os conflitos de classe e as formas
culturais que exercem um papel contraditório não apenas na reprodução e na
distribuição, mas também na produção de conhecimento (FONSECA, 2003, p.34-35).
A educação contemporânea (especificamente
brasileira) passa por crises e momentos nebulosos, todavia, há uma mobilização
na busca de uma melhor compreensão e atuação do sistema educacional frente à
realidade vigente. Nesse processo de crescimento, cobrança e expectativa
(somadas as frustrações) não se pode prescindir a “figura do professor”. Como
ator direto desse processo, o sistema educacional necessita voltar suas
atenções e rediscutir o papel desse profissional do ensino. Esse profissional é
visto como imprescindível no comentário de Morin: “nunca haverá espaço e oportunidade para a substituição do educador
inserido no campo da pedagogia crítica e da libertação” (MORIN, 2005, p.
189).
A função do professor é de tamanha grandeza, visto
que parte do princípio da transmissão do conhecimento. Segundo Paulo Freire
(1975, p. 170), “a função prioritária do
professor merece circuncrever-se a conseguir aumentar os conhecimentos dos
alunos, procurando, sobretudo que, de forma rentável, eles se preparem para
desempenhos mais exigentes...”.
Ainda reportando-se á atuação do professor no
contexto do ensino, Fonseca (2003, p. 178) enfatiza: o professor educador por
excelência deve contribuir fortemente para que seus alunos se transformem em
profissionais competentes no desempenho de suas funções junto à sociedade.
No comentário de Fonseca, sobre a atuação do
professor no contexto educacional, acrescenta, afirmando, que o professor é um
dos elementos mais importantes, por assumir a responsabilidade da transmissão
do conhecimento e está apto para exercer suas funções tanto do ponto de vista
Institucional como acadêmico (2003, p.193).
No mundo globalizado, cabe aos professores a
difícil tarefa de prepararem seus alunos para adaptarem-se aos desafios
vigentes e não esquecer a missão precípua da consciência à cidadania. Será
importante que os professores sejam capazes de eleger certos conteúdos como
mais importantes e recriar metodologias de trabalho que identificam como sendo
as mais adequadas àquelas circunstâncias de trabalho. “E a consciência critica do professor, obviamente somado sua capacidade
técnica que evitará produzir uma educação subserviente, uma educação bancária”
(FREIRE, 1975).
Concluímos que no decorrer da história da educação
brasileira, não se podem negar as mudanças que seja no campo institucional
(leis, pareceres, normas, etc.), como operacional (instrumentação, técnicas,
tecnologias, etc.). Algumas mudanças que refletem também na questão da educação
escolar:
Nos próximos anos, o novo desafio da integração da
aprendizagem eletrônica e do ensino por Internet ainda trará profundas
exigências de mudança para nossos sistemas educacionais. E, além disso, nossas
sociedades apresentarão novas exigências de adaptação, pedindo a nossos
sistemas educacionais que respondam as demandas imprevisíveis de sociedades no
qual o processo de mudança social se acelerou.
Também se percebe uma continuidade especificamente
em questões ligadas às políticas públicas educacionais, ainda convivemos com
uma alta taxa de analfabetismo, pouca verba, falta de uma infra-estrutura
(materiais escolares, prédios adequados, escassez docente, etc.), dificuldades
de acesso á escola em todos os níveis de ensino (inclusive superior). No
entanto, a despeito de tantos problemas no âmbito educacional, é latente a
presença de setores da sociedade (principalmente estudantes), mais consciente,
mais participativo, que tem se mobilizado (inclusive no aspecto político) e
pressionado as classes políticas frente aos problemas existentes, causando
assim a possibilidade de construirmos um Brasil de um sistema educacional que
esteja disposto a romper com o atraso e construir um novo modelo de Educação.
Professor Ademir Rodrigues Pereira
Professor Ademir Rodrigues Pereira
REFERÊNCIAS
APPLE, Michael. Educação e poder. Porto Alegre:
Artmed, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de
Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio:
bases legais/ Ministério da Educação- Brasília: Ministério da Educação/
Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 1999.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Porto,
Afrontamento, 2. ed., 1975.
FONSECA, Selva Guimarães. A educação no Brasil numa
perspectiva social e o papel do professor. Campinas, SP: Papirus, 2003.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários á
educação do futuro. 10 ed.- São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2005.
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